Vale a pena congelar as células tronco do cordão umbilical?

As células tronco são células capazes de se transformar em vários tecidos do corpo humano. Existe três tipos de células tronco: as totipotentes: que se diferenciam em todos os tipos de células do corpo humano-presentes apenas em embriões com até 14 dias. As pluripotentes: capazes de se diferenciar em todas as células do corpo, exceto placenta – presentes na medula óssea, fibrobastos da gordura e polpa de dente de leite, e as multipotentes que se diferenciam em células da mesma linhagem ex. As hematológicas – são as células do cordão umbilical.

Essas células do sangue de cordão são boas apenas para substituir a medula óssea em doenças hematológicas e por ter as só as células tronco hematopoiéticas. Ou seja, para tratar leucemias, anemias e outras doenças hematopoiéticas. Entretanto, essas doenças, que são as mais comuns, há um biomarcador nessas células, ou seja, caso a criança que desenvolveu uma leucemia, utilize suas células tronco do cordão umbilical que foram congeladas, para auto implante, as chances de recidiva da doença são altíssimas. Essa opinião é compartilhada pelo oncologista Luís Fernando Bouzas, do Instituto Nacional do Câncer, o Inca – que coordena os bancos públicos de armazenamento. Segundo ele, o transplante autólogo em casos de leucemia não faz sentido, pois a doença já está impregnada na célula desde o nascimento. Outro fator a ser apontado é que a quantidade de sangue que há no cordão umbilical é pequena, a quantidade de células tronco que existe dentro dele é capaz de tratar uma criança de no máximo cinco anos. Sim, elas podem ser expandidas em cultura celular, mas isso tem um limite, pois o ideal é a utilização para transplante na quarta passagem (aumentando até quatro vezes a quantidade de células in vitro). Portanto, não é garantia de conseguir uma quantidade suficiente para transplante de um adulto, por exemplo.

Segundo a ANVISA no Brasil, entre 2003 e 2010, 45.661 unidades de cordão umbilical foram armazenadas em bancos privados, mas apenas três foram utilizadas para transplante autólogo, ou seja, do próprio doador. E não há dados sobre a eficiência da terapia, e este é o ponto que talvez seja o mais delicado ao falar desse assunto. Cadê as estatísticas? Onde se comprova que os tratamentos realizados obtiveram sucesso? Vale o custo benefício?

Ainda vai demorar muito para usarmos células tronco de forma segura e eficiente como um tratamento para qualquer tipo de doença. A principal problemática no uso delas, é que os cientistas não conseguiram ainda garantir que essas células, se transformem apenas no tecido desejado, e elas tem uma facilidade para se reproduzir desgovernadamente e se transformam em tumor.

Não há nenhum tratamento seguro para ser feito hoje utilizando células tronco. Tudo o que existe é pesquisa e especulação com a promessa do futuro da ciência.

Se acreditarmos que a ciência conseguirá evoluir e oferecer um tratamento seguro para a humanidade a partir de células tronco do cordão umbilical, teremos que acreditar também que estes mesmo cientistas conseguirão fazer a reprogramação de outras células, para que ela se transformem em células tronco, são as chamadas IPS Cells (As células-tronco pluripotentes induzidas, também conhecidas como células iPS ou iPSCs pela sua origem do inglês induced pluripotent stem cells, são um tipo de célula-tronco pluripontente artificialmente derivada de uma célula-tronco não-pluripotente, tipicamente de uma célula somática adulta, pela indução de uma manifestação “forçada” de certos genes.). Pesquisas estas que estão cada vez mais consolidadas. (Takahashi k.., Yamanaka 2006 e 2007)

Contudo doar o sangue do cordão ou a polpa do dente de leite para bancos públicos e centros de pesquisa, é sim muito bom, embora eu acredite que a melhor coisa a ser feita com o sangue do cordão é deixar que ele fosse todinho pro bebê, pois isso reduz em 40% os riscos da criança desenvolver anemias na primeira infância. (http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/atrasar-corte-do-cordao-umbilical-aumenta-estoques-de-ferro-niveis-de-hemoglobina-no-bebe-8996899)

jalile

Jalile Garcia Schiavuzzo

Fisioterapeuta – UNIMEP

Mestre em ciências da Nutrição e do Esporte e Metabolismo –UNICAMP

Doutoranda em Biologia Funcional e Molecular- UNICAMP

 

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