Relato de Parto- Michelle Ferreira

Ao chegarmos na maternidade passei por um misto de sentimentos, os pensamentos tomavam conta do meu corpo junto com as contrações. Lembro de dizer que não acreditava que tudo já estava “acontecendo”. O Dr chega, examina. Fico decepcionada: “1 cm, quase 2 cm”, perguntei indignada: “O quê? Mas como? Estou sentindo tanto as contrações”. Não entendemos… Silêncio na sala. Chorei. Tive medo do meu corpo “falhar”. Comecei a calcular quanto tempo teria de bolsa rota, o que poderia fazer, lembro do Dr me acalmando, dizendo para me manter calma e que cada corpo é um processo único, que algumas vezes não acontece como sabemos na teoria (e entender do assunto me fazia racionalizar, pensar no passo seguinte). Pedi para ir pra casa, tomar um banho (queria lavar o cabelo), Dr achou melhor não, minha casa fica distante do hospital. Ficamos por ali então. E elas comigo, contrações e mais contrações, mas a cabeça estava firme e o corpo também. Fomos para um quarto, 11:07 horário da foto no espelho.

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Luzes apagadas, playlist escolhida tocando, óleo, massagens, bola, exercícios, chuveiro com água quente e o desejo de recebê-lo aumentava como cada contração. Algumas vezes a “dor” minava a minha coragem, mas ainda estávamos firmes. 

Naquele quarto,  Bia e Gilberto permaneceram ao meu lado, que alívio aquelas mãos, minha dupla foi sensacional! 

collagemaker_20180202_195532086 E assim seguimos…

Horas passando, evoluímos vagarosamente, mas estávamos evoluindo. Chega a notícia, meu médico   não poderia continuar me acompanhando. O tempo parece parar por alguns segundos, cabeça fica sem entender mas não tinha tempo de pensar, vinha mais uma contração. Após passar, silêncio na sala. Todos pensativos, eu não conseguia pensar, me lembro de ouvir alguém dizer na sala: “seu parto acontecerá independente de quem estiver aqui, o seu bebê só precisa de você para nascer”. Resgate. Deus me mostrando que TUDO acontece como Ele quer e não como eu quero.  Somos apresentados a uma nova Dra, uma agradável surpresa.   Estávamos indo bem, porém o cansaço começou a bater, pergunto a hora, perdi a noção do tempo…   passaram 10 horas. Neste momento tudo estava tão intenso, lembro de não conseguir ouvir mais as pessoas, a dor já não era tão forte mas o cansaço sim, chegamos a 8 cm, Davi estava próximo, peço analgesia, o cansaço tomava conta do meu corpo.
Neste instante parei e mentalizei todas as “dores da alma” que já tive, essas sim foram mais dolorosas do que as que sentia naquele momento. As pernas fraquejam, caio em lágrimas e sou amparada com um abraço da minha dupla que me pedem para chorar tudo o que queria, me despir de qualquer sentimento… ali abraçados chorei muito, choramos juntos, e foi um alívio para a minha alma, eu precisava passar por todo aquele processo. Sinto então chegar o momento de trazer o Davi, lembro da música gostosa de fundo tocando na sala, dos olhares da equipe torcendo por nós, Giba sempre ao meu lado segurando a minha mão e falando em meu ouvido: “Vida, traz o nosso filho, força, você consegue!” e isso me dava uma coragem absurda. Que momento intenso! Eu já conhecia o tamanho da minha força mas não imaginava o poder dela!
E conseguimos, Davi nasceu, saudável, lindo, recepcionado da forma mais respeitosa e carinhosa pela nossa pediatra Dra. Cristina.
 Ele chorou, veio para o meu colo, lembro da sensação de senti-lo quentinho, parou de chorar na hora, calminho… meu coração explodindo. Minha fé renovada. Meu momento sentido e minha transformação e renascimento de alma que precisava. 2017 que ano top! 

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