Quando eu me vi no status de “mãe solteira”

jehOlá leitora do Mãelabaristas, tudo bem? Prazer em te “conhecer”, meu nome é Jessica e sou mamãe do Lucca. Além disso sou mãe solteira e de primeira viagem. Nossa, que bagagem pra carregar logo de cara, não é mesmo? Se você também está na mesma situação então espero que esse texto vá de encontro ao teu coração.

Antes de conversar um pouco sobre o meu status de “mãe solteira” preciso confessar que eu não gosto desse termo “solteira”, logo após a palavra mãe, porque é bem verdade que elas não combinam. Veja só, ser mãe não tem a ver com relacionamento ou estado civil e ser mãe solteira não nos exclui do grupo de mulheres que, conscientemente, se dispuseram a educar e criar uma pessoinha sua, sozinha – apesar de sabermos que o preconceito contra essas mulheres ainda existe. Eu até pensei se a expressão “mãe por conta própria” seria mais adequada mas é visível que “mãe solteira” é mundialmente conhecida então vou continuar utilizando esse termo para referir à mim e outras tantas milhares de mães espalhadas nesse mundo (mas sempre entre aspas).

Eu vejo que existem dois tipos de mãe solteira: a que quer ser mãe solteira e a que não planeja mas acaba, uma hora ou outra, se tornando uma. A que QUER SER MÃE SOLTEIRA é a que planeja ter filhos recorrendo ao banco de sêmen, por exemplo. Ela “conhece” o doador através de um catálogo que apresenta os candidatos por números (e não pelo nome) e eles nunca vão se conhecer pessoalmente. Ah, tem também a mulher que opta por adoção e essas mulheres-futuras-mães, pra mim, são wonderwomen. Isso não quer dizer que essas mulheres não pensam em relacionamentos (namoro, casamento, juntar panelas) mas esse é assunto pra outra hora.

Já A QUE NÃO PLANEJA SER MÃE SOLTEIRA é aquela que pode ter se casado, tido filhos, vivido ótimos momentos com a família, mas caiu no status de a) viúva e agora tem que cuidar dos filhos sozinha. Ou aquela que foi casada, sofreu um bocado nesse período e acabou pedindo o b) divórcio (e também tem que cuidar dos filhos sozinha). E aquela outra que c) namorou um carinha, engravidou e viu que o relacionamento já não prestaria – e, a partir daí, decidiu nem levá-lo adiante – mas tem que começar uma vida nova, com um serzinho novo, sozinha. Eu me encontro na última situação.

Agora falando especificamente da minha experiência, eu jamais sonhei ou imaginei ser mãe algum dia da minha vida. Sempre tive outros planos. Casar? Deus me livre, tinha muito a conquistar. Mas eu esqueci que a vida, de vez em quando, gosta de jorrar uma leva de imprevistos e desastres na vida de algumas pessoas (se você nasceu com a bunda virada para a Lua, fique tranquila que a chance de acontecer com você é pequenininha) e nenhum desses sonhos tiveram a chance de acontecer. O que eu abracei nesse tempo – a partir dos meus vinte anos – foi uma síndrome do pânico, depressão, estagnação, tratamento psiquiátrico, um relacionamento cretino e, tchanãm, um filho.

Sim, eu preciso deixar claro desde já que o Lucca é o melhor imprevisto que aconteceu comigo até hoje e não acho que vá vir qualquer outro tão significativo, mas a questão que eu quero enfatizar é que minha vida seguiu um percurso totalmente inesperado e sequer planejado.

Quando o Lucca nasceu eu finalmente pude experimentar, pela primeira vez, o amor incondicional. Quando eu disse logo acima que o Lucca é o melhor imprevisto que me aconteceu eu não posso deixar de reafirmar isso, ele realmente é. Aprendi tanto, mas tanto que eu já posso te dizer que a Jessica de dois anos atrás não é a mesma de hoje, jamais. E nesse tempo eu percebi o quão fraca, carente e até mesmo egoísta eu fui. Abrir os olhos para o que realmente é importante (meu filho e eu mesma) foi um presente que o Luquinha me deu sem mesmo saber.

Agora eu vejo o quanto eu precisava me amar para depois pensar em amar alguém; o quão erradas foram minhas escolhas e como eu precisava dele (do Lucca) para eu encontrar a força e o amor próprio enterrados dentro de mim mesma. E, nossa, como é gostoso a gente se amar! Uau, que sensação boa, não dar tanta atenção às opiniões alheias; dedicar-se a si mesma e a alguém que veio de dentro de você e para você. Um amor recíproco da mesma intensidade e forma que eu jamais experimentei na vida.

Quando eu despertei para esse lado bom de me ver e ver a vida eu decidi, voluntariamente, a ser mãe do Luquinha “solteira”. E foi a MELHOR DECISÃO DA MINHA VIDA. Existe aquele ditado “antes tarde do que nunca” que exprime toda a verdade nesse contexto. E tem aquele outro também que diz “antes só do que mal acompanhada”, sabe? Pois é, nesse caso não estamos sozinhas por completo mas é muito importante ter essa liberdade de poder procurar um relacionamento sincero e verdadeiro se quisermos um. Em contrapartida, sabemos que existem diversos desafios e obstáculos mas eles são e serão enfrentados como toda família enfrenta, através de experiências, sabedoria e aprendizado.

Vale lembrar que nós, mães solteiras, não estamos completamente sós – temos nossa família (mãe, pai, avós, irmãos), amigos, vizinhos, profissionais e quem mais estiver disponível e disposto a ajudar – e sempre estaremos prontas para ajudar uma mãe solteira (não é mesmo?). Eu descobri muito mais força e ânimo no meu blog para falar abertamente sobre minha vida de mãe solteira que esse meu cantinho virtual continua sendo minha terapia.

Então, se você fica triste e decepcionada com seu status de mãe solteira (caso sua história seja nesse sentido) por causa do preconceito que ainda perdura lá fora, eu só tenho que te estimular a ver sua vida com os olhos de amor que seu filho te deu. E você sabe o por quê, sabe sim!
Eu fiz esse post para, além de conversarmos sobre todo o panorama de mãe “solteira”, compartilharmos experiências, dúvidas e opiniões. A gente precisa disso, de situações reais compartilhadas sem medo de qualquer dedo na cara, reprovação ou nariz torto. Precisamos nos apoiar! Está na hora de quebrarmos esse paradigma de mãe “solteira”. Não se mede a qualidade, se mensura o amor ou avalia os cuidados de uma mãe através de um estado civil.

Ser mãe solteira foi a melhor escolha que eu pude tomar na minha vida. Estou ciente dos desafios mas meu filho me dá forças!

Jessica Asato, mamãe do Lucca, professora de inglês e blogueira. Mora em Campo Grande – MS.

http://www.maegnifica.com.br/

 

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