O sonho do parto normal

fb_img_1501439992344Ana Cláudia se sentiu na missão de através do seu relato, contribuir para que mais mulheres possam buscar informações e assim como ela, possam realizar o tão sonhado parto normal. Na sua narração emocionante, Ana Cláudia nos encoraja a acreditar nos nossos instintos e prova que quando se tem assistência apropriada e muita informação, o parto normal pode estar mais próximo do que imaginávamos.

De alma lavada, de alma curada, sensação única de empoderamento e plenitude, compartilho meu relato de parto.

O parto normal não fazia parte dos meus planos! Mas, apaixonei-me depois de conhecer histórias de pessoas próximas.  Depois de apresentada a esse universo me encantei e descobri que também era capaz de conceber meu filho de forma natural. A minha primeira gestação chegou com trinta e sete semanas e cinco dias e às 6h da manhã dei entrada, pelo SUS, ao hospital. Após o exame descobri que estava apenas com 3cm de dilatação e lá fui eu caminhar nas ruas, fazer compras, pagar conta e a cada momento que a contração vinha eu parava, encostava na parede, respirava e recebia massagens de estimulo da minha doula Simone. Os desconhecidos ao ver uma grávida encostada nos lugares, respirando fundo, não hesitavam em perguntar se eu precisava de uma ambulância, eu queria dizer que estava tudo bem, mas devido às dores eu apenas me concentrava em respirar e nos intervalos dava boas risadas da situação, ainda bem que eu tinha a doula.

Retornei para o hospital às 17h30min porque meu médico obstetra entregava o plantão às 19h. Novamente ele me examinou e disse que eu tinha progredido apenas 1 cm. Devido às contrações constantes comecei a sentir dores desconhecidas, foi nesse momento de vulnerabilidade que me pediram para decidir se continuaria com o parto normal ou se iria para uma cesariana. Se eu continuasse com o sonho do parto normal estava sujeita a fazer o procedimento com outro médico, se eu decidisse pela cesariana,  precisava ser antes do meu obstetra acabar o plantão. Para tomar essa decisão, meu médico retirou-se da sala e naquele ambiente ficamos apenas eu e meu marido que esteve comigo o dia todo. Ele conversou comigo e me pediu para fazer a cesariana chorando, tentei recusar, mas foi inútil. O medo implantado já estava em mim então concordei.

Enquanto eu me arrumava, as lágrimas escorriam meu médico ao confortar-me disse pra eu não me sentir covarde ou incapaz por ter optado pela cesariana, mas diferentemente do que ele pensava eu sentia que meu sonho foi abafado, calado. Antes de ir para o procedimento fizemos uma oração à Deus e ele nos atendeu me proporcionando um parto cesariano tranquilo com um filho lindo e saudável em meus braços com o nome de José, meu José Salomão.

fb_img_1501440001223

O tempo passou, mas a vontade de conceber um filho em condições normais era o desejo do meu coração. Quando descobri que estava grávida do meu segundo baby recomecei o planejamento do parto normal e posso dizer que vivi uma experiência única, muito além do que eu imaginava que mudou tudo dentro de mim, inclusive a forma de pensar e visualizar o parto normal. Descobri que meus filhos adoram as manhãs, meu Benicio escolheu às 6h da manhã de uma segunda feira para me tirar da cama. Estava com cólicas e a primeira coisa foi conversar com Deus e dizer que se o momento fosse aquele eu estava pronta. Em seguida conversei com meu Benícinho para falar que eu estava à espera dele, mas no tempo dele.  Em cada cólica sentida uma mistura de sentimentos me tomava, pois estava me preparando para entrar em um mundo novo e desconhecido.  Senti dores e muitas emoções jamais sentidas. Decidi colocar um tênis, caminhar no condomínio no retorno liguei para a enfermeira Alice e para a enfermeira e doula Simone informando sobre as cólicas com contrações, elas nos veriam no período da tarde e então continue fazendo as tarefas de casa. Almocei, arrumei meu Jose Salomão para a escola, arrumei a casa, pois ia receber a equipe, decidi que meu parto normal seria em casa. Ah se eu pudesse controlar tudo!

Quando elas chegaram uma ansiedade tomou conta de mim. Fui examinada e descobri que meus filhos gostam dessa coisa de ser parecidos em relação aos números, poxa apenas 3cm de dilatação gurizada? Como assim? Enquanto aguardava, o tempo do meu pequeno, descansei e junto com meu marido fui me despedindo da minha barriga de melancia que esteve comigo por alguns meses. As contrações foram aumentando e eu me agachando, respirando e conversando com Deus para ir preparando tudo, eu me senti mimada por Ele conduzir o procedimento como eu imaginava. Os 7cm de dilatação chegou ás 19h e se tudo continuasse a evoluir bem por volta de meia noite eu estaria com meu filho nos braços. Eu queria ter aquele momento, único, para sempre comigo por esse motivo contratei a fotógrafa Paula Cayres para registrar tudo e não faltou momentos para ela registrar. Fiz exercícios de estímulo como agachamento, massagens, subida e descida na escada, caminhada e por fim orei entregando nas mãos de Deus para que a vontade Dele fosse feita sobre nossas vidas.

Perdi a noção do tempo, mas não perdi o desconforto por não ter mais estimulo e nem posição confortável para encarar as contrações. Eu recebia massagem da doula, carinho do meu filho de dois anos, olhar e palavra de incentivo do meu marido e também buscava forças em Deus, pois estava começando a ficar exausta. Minha bolsa rompeu às 3h da manhã a partir daí pensei que o processo fosse mais rápido, só que não. Entrei na piscina e foi a melhor decisão, pois meu corpo relaxou naquela água quentinha.  Eu queria dormir, mas meu filho precisava nascer e eu precisava fazer a força certa para ajudá-lo, porém nenhuma posição parecia a certa, nada mais parecia ajudar. Eu simplesmente não conseguia e pela primeira vez senti medo, medo de não conseguir, medo de mais uma vez desistir, exausta ajoelhei e implorei por um hospital. Depois de ter certeza que iria para o hospital eu me senti uma covarde! Eu precisava de ajuda, de anestesia ou até mesmo de uma bendita Cesária. No hospital a médica me examinou auscultou meu bebê e disse que já estava com dilatação total, imediatamente fui encaminhada para a sala de parto. Fiquei naquela mesa deitada com muitas dores que me condicionavam a por para fora gritos de força misturado com exaustão, era incontrolável. Novamente senti medo quando o líquido saia entre minhas pernas, medo do meu sonhado parto normal acabar naquele momento! Senti que nada mais estava no meu controle e o que me restava era entregar a Deus. Eu entreguei e mais uma vez Ele me mimou trouxe-me a Dra. Ana Luiza Munizz que veio até mim como um anjo que me ajudou, respeitou, confortou e estimulou, lembro bem quando ela disse: “mãezinha seu bebê está bem e está quase nascendo” e ainda disse que meu Benício precisava de mim e eu dele.

Recomecei a fazer força, mas nada acontecia. Então pedi a Dra. uma anestesia e ela com todo amor me disse que anestesia não dava mais, pois já estava com dilatação total. Pedi Cesária e ela com toda a paciência me explicou, que meu pequeno já estava na vagina e que levar de volta para a barriga era perigoso e arriscado tanto para Benício quanto para mim e completou dizendo que o máximo que poderia fazer era uma episiotomia, mas em último caso. Pela primeira vez pedi para morrer já que nada mais dava certo! Como eu disse Deus me faz mimos e ele me mimou enchendo minha Dra. de sabedoria para dizer: Ana… Ana olha pra mim! Seu bebê já está aqui e para ele nascer ele precisa de você então se concentra e faz a força certa que ele vai nascer. Você quis tanto esse parto e agora quer desistir”. Mais uma vez mudamos de posição e as contrações foram se intensificando a ponto da minha alma se desconectar do meu corpo, isso mesmo, como aquelas cenas de filme. De longe eu ouvia Alice minha doula e Dra Ana me encorajando a fazer mais força: “Ana faz força, força cumprida, não solta ar, enche o pulmão e vai de novo”. Inconscientemente eu fazia o que elas falavam e aos poucos fui sentindo a cabeça do meu filhinho passando, mas minha doula confirmou a sensação dizendo: “Ana a cabeça está aqui quer ver, vou pegar um espelho…” Eu respondi mal conseguia abrir os olhos. Eu queria meu filho mais que tudo em meus braços foi então que eu fiz mais forças e senti seu corpinho escorregando e então morri. Ana, acorda..ele nasceu.. quando abri os olhos eu renasci com ele, ele estava ali em cima de mim, um chorinho manso,  pude sentir seu cheiro, seu corpo quentinho, sua beleza, sua saúde. Eu olhava para ele, chorava e agradecia à Deus por não ter desistido de mim, por ter me dado forças, por proporcionar o experimento da graça de parir.

Grata a minha doula e enfermeira Alice Inacio de Paula por terem sofrido, chorado, estimulado e sonhado comigo. Grata a doula Simone Albuquerque. Grata a Dra. Ana que foi paciente e muita sábia. Grata ao meu marido Paulo Rocha gratidão pela paciência, Grata ao meu José por tanta coragem e principalmente grata a Deus pelo sustento, pela dádiva de ser mãe pela segunda vez! Meu Benício nasceu às 8h44min com 3,375 kg e 49,5cm, cheio de graça e repleto de saúde e sabedoria. Eu Ana Cláudia Insfran em meio a esse mar de sentimentos e descobertas CONSEGUI PARIR.fb_img_1501439981720

Imagens: Paula Cayres

 

Comentários

Comentários

Posts Relacionados