“GRAVIDEZ ECTÓPICA”

 

Por Marina Silva

marina gravidez

Em 2013 meu relógio biológico começou a despertar, tinha acabado de completar 30 anos. É inexplicável como essa vontade vem tão forte. Começamos a tentar em setembro. Em outubro minha menstruação atrasou, e quem é “tentante” sabe que assim se inicia um longo relacionamento com a farmácia. Fiz o teste e sim, positivo, ainda meio sem acreditar(novamente, “tentantes” entenderão) não sabia se ficava feliz ou triste, mas juro, alguma coisa me dizia que algo não estava bem.

Neste dia, 5 de outubro, o mesmo dia em que recebi meu positivo, na parte da tarde, tive um sangramento. Corri  para o bom e velho Google, filtrei as respostas tenebrosas e me contentei com as que falavam que sangramentos no início da gravidez são normais.

Com uma pulga atrás da orelha, continuei minha vida normal, era um fim de semana . Na segunda feira fui fazer um hemograma para ter certeza mesmo que estava grávida,  confirmei, o positivo, gh alto já, não sabia que isso seria determinante para a minha desconfiança.

O sangramento continuava, aguado, gosmento, parecia um início de menstruação, meu medo aumentava, o google ajudava, o google piorava. Fui fazer um ultrassom, consegui um encaixe por ser urgente, estava muito, muito nervosa. Médico apático, lacônico, só  disse que não tinha bebê nenhum, que eu não estava grávida, que no máximo poderia estar cedo demais para aparecer no ultrassom. Passei a semana angustiada, repeti o teste e lá estava, positivo.

diagnostico marina.Na segunda feira dia 14, consegui ser atendida por uma antiga ginecologista minha, como sabia que ela tinha ultrassom em seu consultório, liguei e implorei um encaixe. Quando me examinou a mesma coisa, nada de bebê. Pediu mais exames de sangue para confirmar e cogitou uma tal de “gravidez ectópica”, nunca havia ouvido falar e desconsiderei totalmente.

Fiz os exames, continuava dando positivo e o hormônio acima de 1000. Neste dia o sangramento continuava e resolvi fazer outro ultrassom para ver se finalmente não aparecia o meu bebê lá no ultrassom.

Fui em várias clínicas para tentar um encaixe, e nada. Na última consegui. Expliquei tudo para doutora e ela simplesmente disse que para um valor tão alto do hormônio, o feto já deveria aparecer. Essa sim, honrou seu diploma e seu juramento, me revirou, apertou, e encontrou, um feto de 2mm na minha trompa esquerda. Não sabia o que pensar, ela me explicou que um feto não pode se desenvolver nas trompas e que a gravidez teria de ser interrompida.

Ou através uma operação que coloca em risco o funcionamento normal da trompa ou através de um medicamentoUS ectopica Marina. utilizado em quimioterapia chamado metotrexato que interrompe o desenvolvimento do feto.

Foi muito triste. Voltei na minha dra, que me encaminhou para outro médico, que tem experiência em cirurgias como esta. Ele me explicou que como era pequeno, 2mm, a injeção de metotrexato seria mais indicada, mas ela também poderia não funcionar, o feto poderia continuar crescendo e antes que minha trompa se rompesse eu teria que fazer a operação.

Eu não queria tomar o medicamento, interromper uma gravidez, mas sabia que a mesma não era possível. O google, novamente, me mostrou várias histórias de mulheres que descobriram da pior forma, ou seja, com o rompimento das trompas. Pois a gravidez ectópica pode ocorrer sem nenhum sangramento, ou com mulheres que não estão tentando engravidar, acham que o sangramento é a menstruação.

Então, no dia 17 de outubro fui lá, tomei a injeção e fui trabalhar. Não sentia dores físicas, só tristeza mesmo, o médico só recomendou que não fizesse muito esforço  e que fizesse exames de gravidez quantitativos por diversas semanas pra acompanhar a queda do hormônio.

Essa parte não é muito legal, ficar feliz com “desengravidação”. Mas, com tanta coisa que não deu certo, olhando pelo lado bom, deu tudo certo, minha trompa foi preservada e não ficou nenhum vestígio do feto que após parar de se desenvolver é absorvido pelo organismo. Penso de uma forma poética que ainda estamos juntos, penso que o melhor aconteceu pois não tive sequelas físicas. Graças a minha intuição que me deixou inquieta desde o começo e a doutora que ao invés de me pedir para esperar para ver que aconteceria, me revirou até encontrar o que poderia estar errado.

Após este episódio fiz alguns ultrassons para verificar se havia algum resíduo na trompa e aguardar 6 meses para tentar novamente, pois o medicamento ainda poderia estar no organismo.

Em 2014 engravidei novamente, sem dificuldades, 3 meses de tentativas e finalmente no ultrassom de 5 semanas, depois de 1 trilhão de testes de farmácia e hemogramas, consegui enxergar meu filho lá, no lugar certo.

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