ENTREVISTA COM A OBSTETRA

Não existe gravidez igual. Para algumas mulheres parece um verdadeiro sacrifício, cheio de dores, medos e problemas. Já para outras (acreditamos que a maioria) é tudo maravilhoso e saudável, enfim, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, não é mesmo?

Devemos só ressaltar que para todas uma coisa é igual: a importância de um pré natal e dos cuidados de um médico de confiança, que também são realizados de acordo com cada paciente e seu histórico de vida.

Diante de inúmeras dúvidas sobre o universo da gravidez, e por esse ser o início de tudo, nós escolhemos como primeira entrevistada do blog a ginecologista, obstetra e mãe, Dra. Maria Auxiliadora Budib para falar um pouco mais sobre este momento tão mágico e especial.

 

Vamos lá:

1 – Para as tentantes, existe um jeito para aumentar as chances de gravidez?

Para quem está tentando engravidar o caminho mais rápido é reconhecer seus próprios sinais de fertilidade: aumento do muco cervical no meio do ciclo, a dor da ovulação, e para isso o calendário menstrual é importantíssimo.

2 – O que é o aconselhamento pré-natal, é importante?

 

O aconselhamento pré-natal é fundamental para quem preza pela prevenção. O casal fará seus exames sorológicos antes de engravidar (rubéola, toxoplasmose, HIV, hepatites, sífilis, hemograma), o calendário vacinal será colocado em dia e o ácido fólico e as vitaminas serão iniciados antes da concepção, promovendo maior chance de saúde do feto.

 

3 – Como escolher o melhor tipo de parto?

O ideal é a mulher ser protagonista de sua história, ter informações que a deixe segura do que ela quer vivenciar no dia do encontro com seu filho. Muitas vezes, escolhemos um tipo de parto e por emergência, temos outro tipo. Isso nos dois sentidos: há quem escolha a cesárea e chega em fase avançada de dilatação e se aterroriza diante do parto normal, outras escolhem o parto natural e há situação de risco ao feto, e partimos para cesárea. Então, não há receita de bolo, o ideal é ter todo tipo de informação para se sentir segura e ter seu bebe da maneira mais saudável.

4 – É comum ouvir dizer que no primeiro trimestre a gestante deve evitar fazer ginástica e atividades físicas intensas. O que acha disso?

A moderação é o melhor caminho. Se não há risco de abortamento, se a gestante já pratica atividade física regular, não há porque suspender seu horário de treino.

5 – Quais são os exames que você aconselha fazer ao longo da gestação?

Cada trimestre da gestação exige um tipo de cuidado. No primeiro trimestre pedimos os exames sorológicos, hemograma, urocultura (exame de urina para ver infecção), rastreamento de diabete e anemia e também o ultrassom com doppler de corpo lúteo.

No segundo trimestre, especificamente entre a 12 e a 13 semanas, solicitamos o ultrassom para avaliar a translucência nucal, osso nasal e ducto venoso (que nos mostra risco de doenças cromossômicas) e também urocultura. Aos papais e mamães que querem saber o sexo do bebê, a partir de 14 semanas uma ecografia já revela quem está chegando.

O teste de tolerância à glicose (odiado, rsrsrs) deve ser feito também.

Por volta de 28-30 semanas, solicitamos US obstétrico com doppler para avaliar risco de hipertensão na gestação e repetimos urocultura.

No último mês, reavaliamos sorologia HIV, sífilis, hemograma. Um exame de cardiotocografia anteparto também poderá ser solicitado, bem como o ecocardiograma fetal para as gestantes de risco. Uma maratona, não é?

6 – O exame de ultra-som é hoje muito usado, alguns médicos têm o aparelho em seu próprio consultório. É um exame seguro? É necessário?

 

O exame é super seguro, e é necessário.

Se o médico tem titulo de habilitação em ultrassonografia obstétrica ou título de medicina fetal, ele poderá fazer sim em sua clínica. Particularmente eu encaminho aos médicos imagenologistas com especialização e habilitação nesta área para que a responsabilidade seja compartilhada.

 

7 – Quais são os distúrbios mais freqüentes durante a gravidez?

 

No primeiro trimestre as náuseas e vômitos, pelo “boom” hormonal.

No terceiro trimestre, a lombalgia, as dores nas pernas e a falta de ar (resultantes do aumento de peso do bebe e da mãe, do difícil retorno venoso e do útero comprimindo o diafragma).

O segundo trimestre é o melhor!

8 – A partir de que idade a gravidez passa a ser considerada de risco? Quais seriam eles?

Não há idade que a gravidez passa a ser de risco e sim morbidades (doenças que se apresentam).

Sabemos que adolescentes com idade inferior a 18 anos e mulheres acima de 35 anos são grupos considerados de maior risco. Adolescentes por ainda não estarem maduras para a responsabilidade da maternidade e também pelo corpo em formação. As acima de 35 anos pela maior incidência de doenças como diabetes, hipertensão gestacional e também por aumentar risco de crianças com cromossomopatia pela idade materna. Mas hoje esse paradgma mudou muito: há mulheres acima de 35 anos com saúde impecável, há adolescentes que assumem a maternidade de maneira plena. O mais importante é prevenir o aparecimento de doenças que possam abalar o bom encaminhamento da gestação.

 

9 – As cólicas que muitas mulheres sentem durante a gestação são normais? O que fazer?

Eu diria que as cólicas são comuns, não necessariamente normais.

O crescimento do útero pode causar essa cólica, mas de uma maneira que não impede as atividades da gestante e não se faz necessário  medicação. Se há interferência o melhor é procurar o médico obstetra.

10 – O que vem a ser incompatibilidade sanguínea entre mãe e feto?

O agente Rh é uma proteína sanguínea que pode ou não estar presente no sangue humano. Quando presente, no primeiro , diz-se que a pessoa possui RH (RH positivo) e quando ausente, Fator RH negativo .

Quando a mãe não possui essa proteína, ou seja, é RH negativo e seu parceiro possui (RH positivo), é necessário durante o pré natal maior cuidado, monitorando periodicamente com a solicitação do exame de Combs Indireto.

Quando nascer o bebê, se ele for portador do fator RH positivo, faz se pesquisa do Combs Direto e submete a mãe a uma vacina anti – Rh. Essa vacina serve para proteger o próximo filho de ser imunizado com os anticorpos anti-Rh produzidos pela mãe. Se não há essa ” dessensibilização” o recém  nascido pode apresentar Eritroblastose fetal.

Eritroblastose fetal é uma doença hemolítica causada pela incompatibilidade do sistema Rh do sangue materno e fetal.

Uma vez produzidos, esses anticorpos permanecem na circulação da mãe. Caso ela volte a engravidar de um bebê com Rh positivo, os anticorpos produzidos na gravidez anterior destroem as hemácias (glóbulos vermelhos do sangue) do feto. Para compensar essa perda, são fabricadas mais hemácias, que chegam imaturas ao sangue e recebem o nome de eritroblastos.

O primeiro filho, portanto, apresenta menos risco de desenvolver a doença do que os seguintes, porque a mãe Rh- ainda não foi sensibilizada pelos anticorpos anti-Rh. No entanto, na falta de tratamento, esses anticorpos produzidos na primeira gestação podem destruir as hemácias do sangue dos próximos fetos Rh .

11 – Mulheres grávidas podem tingir o cabelo e fazer alisamentos?

Assunto do maior interesse das gestantes, ainda não há estudos com robustez que indiquem ou contta-indiquem tintura de cabelo na gestação.

O pouco que se sabe aponta que é provavelmente seguro pintar o cabelo na gestação; não havendo correlação direta de teratogenicidade (riscos de malformações) e tintura.
De qualquer maneira, não custa nada pecar pelo excesso e tentar esperar o máximo possível para voltar a pintar os cabelos; evitando se até a 20 semana; onde há a formação do bebê.
Após a 20° semana a segurança é maior. Uma dica importante é usar tonalizantes e evitar uso de marcas nunca antes usadas, a fim de minimizar riscos de alergia e reações adversas. A concentração alta de chumbo em algumas formulações também devem ser prescritas.

Luzes em papelote, sem contato com o couro cabeludo também são opções às gestantes.
Fique atenta ao ambiente do salão de beleza, procure espaços abertos, com boa ventilação, pare evitar a forte impregnação química.

Em relação às escovas progressivas e afins, o uso de qualquer produto que contenha formol é proibido na gravidez, mesmo que em pequenas quantidades.

 12 – O que fazer para evitar os desconfortáveis enjoos matinais durante a gravidez?

As alterações hormonais levam ao quadro de náuseas e também vomitos em muitas gestantes, mas você deve se tranquilizar pois após a 16 semana da gestação o quadro é amenizado.

 

 

  • Faça5 ou 6 refeições pequenas ao longo do dia, priorizando frutas, carbonato integral e proteínas.

 

  • De preferência aos alimentos gelados e use pequenas quantidades de Gengibre nos sucos ou chás.

 

  • Não comaalimentos com alto teor de gordura, fritos e picantes. Não tome café nem coma alho ou cebola crus.

 

  • Não beba muita água durante as refeições. Beba antes ao longo do dia (pelo menos 2 litros de águapor dia). É fundamental que se mantenha muito hidratada.

 

  • Quando se sentir mais enjoada, coma alimentos secoscomo tostas integrais ou bolachas de água e sal.

 

  • Não se deite após as refeições.

 

  • Experimente acrescentar algumas raspas de gengibreà refeição (cru). Pelas suas propriedades, o gengibre ajuda a acalmar o estômago.

 

 Dorinha

 

 

 

 

 Dra.Maria Auxiliadora Budib
Médica Ginecologista e Obstetra especialista pela AMB/ FEBRASGO- TEGO 521/96
CRM 2906 MS
Mestre em Ginecologia pela Universidade Federal de São Paulo -Escola Paulista de Medicina
Professora da Faculdade de Medicina da UFMS

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