A história desses dois

Por Glê Schmitt (do Bloglê)

jp“Jotapê” tinha dois anos e oito meses quando, enfim, resolvemos assumir um relacionamento sério. Mas, já estávamos juntos há nove meses.

E agora? Como eu conto pro meu filho que estou namorando? Será que ele sabe o que é isso?

Não sabia por onde começar… pedi ajuda para uma amiga psicóloga e ela me orientou: “pega dois bonecos e explica como funciona, que vai pegar na mão, abraçar, beijar…”

Beleza, com a Peppa e o Pocoyo em mãos, parti pro teatro… o coração acelerado, mão suando frio e o corpo tremendo. Respirei fundo e contei a novidade da maneira mais lúdica que encontrei. Esperei a resposta. Veio o espanto: “Posso chamar ele de papai?”. Um minuto de silêncio. Vários minutos de silêncio. Engasguei. Gaguejei. Titubeei. Falo o que?

Era uma confusão de sentimentos: espanto e gratidão. Soltei um: “Não, filho. Você já tem um pai. Mas poderá ser amigo e contar com o namorado da mamãe sempre que precisar.” Ele chorou. E chorou muito. “O que eu fiz?” Pensei. Consegui distraí-lo e fazer dormir. Amanhã é outro dia…

Cheia de dúvidas, medos e gratidão, conversei com todos os envolvidos nessa questão e foram de comum acordo para que o Jotapê o chamasse de pai. E assim foi. Jotapê tem dois pais. O de sangue e o de coração. Eita, que sorte!

Assim, Jotapê e papai Chico começaram a viver uma nova fase em suas vidas. Cheias de descobertas, de desafios, de erros, de acertos, de loucuras, de vai e vem, de novos conhecimentos e de muito amor, sem dúvidas!

Esses dois… como podem ser tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo?

Às vezes penso que essa relação vem de outras vidas. Na verdade, eu sei que vem de outras vidas. Mas o importante é que estamos vivendo essa vida agora. Imagino as dificuldades que os dois tem em conviver juntos com tantas dúvidas na cabeça, mas a gente tenta dar um passo por vez, para não correr o risco de nos machucar.


Nunca admito alguém dizer que meu marido não é pai do Jotapê, assim como não admito que digam que o Jotapê não é filho dele. Eles estão juntos todos os dias, fazendo o livro deles, página por página, se conhecendo, se respeitando, brincando, conversando, educando, participando…

Ele é pai. Jotapê é filho. E os dois estão escrevendo uma linda história de resiliência por tudo o que vivem juntos nessa louca e linda experiência. 💛

Eu amo vocês, meus Joãos.

Glê

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